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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

transbordar-se


  Relacionar-se com outro ser humano é tarefa difícil...os mais pessimistas diriam ser até mesmo impossível. Entregar não somente seu coração, mas sua confiança, seus medos e sonhos na mão de alguém que em algum momento foi somente mais uma pessoa entre tantas bilhões é mesmo um ato de coragem e loucura. Loucura branda, mas que continua louca, nos sonhos daqueles que desejam infinitamente a cometer e outros que já a cometeram tantas vezes que nem mesmo consideram loucura.

  Acredito que relacionar-se não seja somente sobre dar as mãos, segurar as barras ou evoluir, sobre ter um alguém para conversar e se preocupar ou um corpo para agarrar nas noites frias, não me convenço com essa história que devemos procurar nossas metades, a tampa da panela.

  Acho que precisamos mesmo é sermos inteiros, completamente conscientes de nossos defeitos, qualidades e conflitos, não para que então, ao encontrarmos um ser mágico e especial, todas as partes ruins sumam de nós e nosso ser seja completamente preenchido pela tampa da panela. Felizmente isso não existe, o ser mágico e especial, vulgo o ser amado, não vem com metade faltando pronta para se encaixar em você, pelo contrário, ele chega completo: com qualidades, defeitos, vícios e manias que não deixam de existir ao lhe encontrar.

  Se você está procurando alguém, ou então, achou esse alguém, complete-se! Antes de procurar o que falta em você em outra pessoa e posteriormente culpar essa mesma pessoa por seus próprios erros, ame-se. Ame seu cabelo, por mais independente que ele seja, suas espinhas, sua mania de completar frases ou seja lá o que você tem, ame você mesmo, admire você por tudo o que é, veja a felicidade e seja a sua própria felicidade para que então, ao depara-se com um amor, você possa se transbordar. 

domingo, 19 de abril de 2015

99 dias com ela



Hoje fazem exatos noventa e nove dias que moro sozinha. Pensei em dizer: “que sou oficialmente adulta”, porém a quantidade de objetos “fofos” que decoram minha mini casa me trairiam. Moro sozinha, em um bairro estranho, rodeada de pessoas estranhas e com todas as contas saindo em meu próprio nome e nem assim me sinto oficialmente adulta. Sigo me sentindo apenas eu, tenho um tipo de aversão a essa palavra, adulta. É pesada e sempre me faz pensar naqueles seres humanos que só trabalham e nunca tem tempo para pensar ou se divertir.

Durante um ano inteiro planejei e sonhei com todas as possibilidades de viver em minha própria companhia. Entrei em tantas lojas de móveis tantas vezes, que hoje se vejo uma, atravesso a rua no mesmo instante. Orcei as mais variadas coisas, queria economizar cada centavo e fazer com que tudo fosse perfeito. Meu objetivo era simples: morar sozinha.

Meu lado planejador se aflorou se tal maneira, que comecei a perceber que não era tão simples assim. Morar sozinha, ponto. Mas e a pia, o fogão e a geladeira? Eles vem de brinde? Foi quando comecei a fazer um milhão de planilhas, não no Excel, é claro. Planejei cada detalhe para que tivesse o menor risco possível de dar errado.

Levei comigo durante todos os dias aquele velho dito popular: “No final, tudo dá certo.” E então quando tudo começou a dar errado, trovejei e bati o pé até entender que sim, no final tudo dá certo, mas é no meio que as coisas acontecem. É durante que você sente uma imensa vontade de desistir, é nesse ínterim que você quer morrer com os absurdos encontrados no mercado, é nesse período, quando cada mínimo detalhe planejado começa a dar errado que você entende qual é a graça da vida.

Adianta viver se você souber que tudo sempre vai dar certo? Se der certo no final, é felicidade plena, mas se durante aparecer um obstáculo e outro, tudo bem. Aprendi muito nesse tempo, e ainda estou aprendendo a controlar a ansiedade e decepção, por exemplo. Minha vida não é uma planilha para que tudo ocorra no tempo em que planejei. Se deu certo, ótimo, vamos continuar. Se não deu, choraminga um pouquinho e depois volta com força dobrada, agora precisa dar.


Uma vez li um texto, não lembro o autor infelizmente, que dizia que quando aconselhamos alguém, estamos na verdade nos aconselhando. Acredito que esse texto seja um conselho para mim mesma, uma pessoa que sonha por vezes demais e planeja momentos que não necessitam de planejamento. Morar sozinha tem sido a maior e melhor experiência da minha vida, perceber que centenas de coisas dependem de mim para acontecer e que, na maioria das vezes, não saem como planejei, tem me ensinado a ficar mais calma quando tudo parece errado, quando o bolo desanda ou o suco fica aguado, calma. A vida é para ser vivida aos poucos, um passo a cada dia, um suspiro a cada encanto. 
13.04.2015

segunda-feira, 13 de abril de 2015

pelo direito de ser G O S T O S A



Depois de vários casos de abusos sexuais consecutivos em um Campus da Universidade de Toronto, no Canadá, um policial foi convidado a demonstrar ações que poderiam evitar que os casos se repetissem. Durante sua palestra, o servidor disse que as mulheres deveriam parar de se vestir como putas, assim os abusos diminuíram.

Esta foi a gota d’água que criou a Slut Walk, Marcha das Vadias no Brasil, a primeira passeata reuniu mais de 3 mil pessoas que demonstravam sua indignação perante palavras tão ignorantes vindas de uma pessoa que teoricamente deveria proteger sem discriminação todos os indivíduos da sociedade, seja lá como estes estivessem vestidos.

Desde a mais tenra idade meninos são treinados para exalaram masculinidade, já na creche, tem três ou quatro “namoradas” e quando estão passeando com o papai ou qualquer figura masculina já são ensinados a chamarem as moças bonitas que caminham pela rua de gatinhas. Meninas aprendem cedo que não podem ser mal faladas e que suas roupas precisam ficar entre o delicado e respeitoso, Deus me livre de terem namoradinhos, mesmo que de brincadeira.

Estamos no século XXI e a educação das crianças continua exatamente como descrita acima, se não pior. Quando é que pais irão ensinar seus filhos homens que mulheres não são pedaços de carne para serem chamadas de gostosas? Espero ansiosamente pelo dia em que andar na rua, seja qual for o horário, não será motivo de apreensão por estar sozinha, que não haverá buzinas ou palavras esdrúxulas de homens com o espírito de seus ancestrais cavernosos.

As estatísticas assustam: uma dentre quatro mulheres são estupradas durante sua vida. O que quer dizer que, em meu grupo de quatro amigas com sonhos, vidas e pensamentos diferentes, uma sofrerá algum tipo de abuso sexual que desestabilizará sua vida para todo o sempre. Quem será essa uma? Eu? Nenhum homem com caráter e uma filha em casa gosta de pensar por esse lado, mas enquanto ele buzina para uma mulher em uma rua, outro homem tenta agarrar sua filha bem próximo dali, como em um ciclo vicioso.

A solução não está em ensinar moças a serem recatas, a não usarem saias curtas nem saírem a noite, todo individuo tem o direito de ser e vestir o que bem entender em uma sociedade onde somos livres. Se nossos homens fossem ensinados a terem respeito para com todo tipo de mulher, vestido algum transtornaria uma Universidade inteira. 

Educação ainda é a salvação do mundo, educar crianças para serem cidadãos respeitosos independente do tipo de individuo que encontrarão pelo frente é sem dúvida a forma mais eficiente de acabar com casos tão absurdos de falta de respeito e dignidade. A Marcha das Vadias causa espanto porque é como um tapa na cara da sociedade involuntariamente machista em que fomos criados, onde o belo é ser magérrima, ter belos seios e coxas, cabelos sedosos e olhos claros, casar com um marido que seja tão ou mais independente que você e trazer um ou dois filhos ao mundo, sendo trabalhadora, mãe e esposa ao mesmo tempo.


Lutar pelas vadias é dizer não a toda essa hipocrisia, é se achar linda tendo algumas sobras aqui e ali e admitir que não somos multiuso, que não precisamos aderir a todas as responsabilidades que compõe uma família porque homem também é pai, também sabe lavar a louça e tirar o lixo para fora. Se ser vadia é não aceitar que qualquer um que passe por mim na rua tenha o direito de me assediar, se é repudiar a mentalidade machista que nos culpa por seus atos repugnantes e querer a liberdade e igualdade social acima de tudo, então somos todas vadias e marchamos todas pelo nosso direito de sermos gostosas da forma que bem entendermos, sem medo ou apreensão.  

segunda-feira, 6 de abril de 2015

de segunda



Querido leitor,
Hoje cedo, quando acordei aos berros de meu despertador e lembrei que dia da semana se tratava, minha maior vontade era de esconder-me embaixo dos meus cobertores quentinhos e fingir que esse dia nunca existiu, você sabe, odeio segunda-feira. Você e todo resto do mundo também odeiam a segunda-feira, exceto, é claro, as almas felizes que não são influenciadas por todo mau humor contido em um só dia. Ah, como sinto inveja deles!
Li no jornal da manhã, não sei do que se tratava, mas dizia que a responsável pelo mau humor crônico desse dia da semana era eu! Eu? Por que eu? Ah sim, o jornal dizia que você também é o culpado, deve lembrar que seu vizinho, seu chefe e todos os seus colegas que encaram o primeiro dia útil da semana com os olhos semi abertos e suspiros a cada segundo dividem a culpa conosco.
Já cansaram de comprovar que o tempo não existe, que cada pessoa tem seu tempo...quando paro e penso nisso, percebo como a segunda-feira não é tão ruim assim, afinal ela nem sequer existiria não fossem nossos calendários. Em outro tempo, talvez odiássemos a quarta-feira ou até a santa e amada sexta-feira! Dou-me conta de que sou eu responsável pelo andar do meu dia,você entende? São meus sorrisos e gentilezas logo pela manhã que transformarão um dia tão castigado em agradável, não só os meus sorrisos e gentilezas, mas os seus também.
Sorria mesmo se acordar atrasado em plena segunda-feira, sinta seu corpo e agradeça por ainda ser um ser vivo do nosso mundo, diga mais “bom dia” do que palavrões no trânsito, faça por merecer cada segundo de seu tempo, seja ele bom ou ruim, sábado, domingo ou terça-feira, pois ele jamais retornará para você. Só perca tempo se for para amar, crescer, evoluir, viver.
Vamos celebrar a terça-feira, mesmo que ela seja “A Esquecida”, aproveitar o domingo como se ele fosse demorar dez semanas para acontecer novamente, festejar a sexta e o sábado como se fossem a primeira vez, vamos amar as segundas e as quartas, sem preconceito! Vamos fazer uma ótima semana para nós mesmos, porque só assim conseguiremos espalhar o bom humor de domingo a domingo.
Com uma dose de motivação em plena segunda-feira,
C.


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