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domingo, 11 de novembro de 2012

que o futuro nosso seja

Trilha Sonora: Olha só, Moreno

  Eu fico pensando em como seremos daqui vinte anos. Será que essa história toda, cheia de curvas e desvios, terá sido enfim resolvida? Não quero pensar na possibilidade de não nos falarmos mais, então já a anulo aqui.

  Tem um episódio de Friends em que o Joey e a Rachel fazem trinta anos e têm suas crises, que como tudo na série, não são normais. Daqui a vinte anos já terei passado da tal idade e espero sinceramente não precisar enfrentar isso. Dizem os sábios que a vida só começa aos trinta.

  Vamos ter um cãozinho vira-lata, que acharemos em uma tarde monótona de domingo. Ah, e também dois gatos, mesmo sabendo que você os odiará. Você sabe, eu nem escuto mais. O nome do vira-lata pode ser Polenta ou Farinha, eu deixo você escolher pelo menos isso, mas nem em sonho pense em nomes para os meus gatos. Nossa casa precisa de uma varanda arejada, porém eu posso até ser flexível e morar em um apê, com uma sacada que dê para namorar. Meus livros precisam de lugar, além dos teus cacarecos, então você pode começar a pensar desde já em uma maneira de compactar isso tudo em algum lugar limpo e bonito.

  É estranho perceber, depois de três parágrafos, que eu imagino sua vida ao lado da minha com tanta maestria e naturalidade. Parece que meu lado receoso resolveu se transformar em impulsionista e agora eu só faço o que me dá arrepios. Só estudo porque o resultado me arrepia, só choro porque o desafio me arrepia, só me escondo porque ser encontrada por você me arrepiada da cabeça aos pés. Já fui mais recata, mas nem isso ajudou, nem isso resolveu. Que continuemos assim mesmo é bom saber que suas tardes são minhas tanto quanto minhas noites são suas, o melhor disso tudo implica no valor que mais prezo: minha liberdade. Mesmo me arrepiando, sorrindo e implicando, continuo livre para errar e pagar por meus erros, acertar e aprender ainda mais e, invariavelmente, conhecer outras pessoas que só me fazem acreditar a cada dia que passa que a única explicação para esses sentimentos permanentes é que de alguma forma você construiu uma rocha no meu coração, bem lá no fundinho, escondidinho, acolheu ela nas paredes e a solidificou de tal forma a me mostrar que tudo passa nessa vida, até uva passa, mas você não.




Créditos da foto: http://weheartit.com/entry/37650766/via/RealRamon

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