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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

365 tons de branco




Eu definitivamente gosto de ser surpreendida. Não admito isso muitas vezes por ano porque se não perde a graça, mas eu gosto de surpresas. Gosto de perder o fôlego ante uma mensagem inesperada, de ficar repentinamente faminta ao sentir o cheiro da minha comida favorita, gosto de ver minhas pessoas favoritas em meus lugares favoritos e saber que elas estão ali porque se lembraram de mim. Não é defeito querer ter uma festa surpresa, é? Eu sempre sonhei com isso.

Talvez eu goste tanto de começos de ano por isso: as surpresas que estes dias em branco guardam em seu interior me fascinam a tal ponto que eu nem consigo fazer uma lista com metas a serem cumpridas. O que eu quero mesmo é ser surpreendida. Quero escrever no projeto de lista “emagrecer cinco quilos” e descobrir que perdi seis gramas a mais, quero planejar ir para Salvador e quando chegar lá saber que posso ir para Porto Alegre.

São essas infinitas possibilidades e caminhos para surpreender a mim mesma que me deixam meio desacreditada das listas. Porque, afinal, eu sei que não sou o tipo de pessoa que segue a dança, aprendi que a emoção está em ser imprevisível.

Eu até faço um esboço dos tópicos mais importantes, porém realmente espero que eles aconteçam das formas mais improváveis possíveis, pois é isso que traz a verdadeira felicidade: o improvável, o impensado, que te faz gaguejar, tira seu ar e estampa o maior sorriso que sua face pode suportar. É ai que está o verdadeiro motivo dos sorrisos mais sinceros, do sentimento de plenitude que tanto buscamos.

Dois mil e doze foi um ano cheio de surpresas, de altos e baixos, de dias que merecem ser tatuados e outros tampouco lembrados. Porém essa montanha russa de doze meses serviu para me mostrar que listas são inúteis quando se tem tanta gente ao seu redor. Quem mais poderia surpreender tanto quanto as pessoas? Perdi a conta de quantas vezes me vi surpresa com tantos tipos diversos de pessoas que conheci ao longo do ano que se foi, de quantas histórias ouvi no ônibus e no trabalho, de quantos rostos frios revelaram corações derretidos. Se dois mil e doze fosse algo ele seria uma pessoa, mas não alguém normal. Pessoas normais não me surpreendem. Nada normal surpreende porque os olhos se acostumam à rotina e depois de algum tempo não enxergam mais a surpresa da normalidade.

Se alguém quiser saber o que espero de dois mil e treze, eu digo: ser surpreendida. Vamos lá, eu ainda tenho 361 chances em branco, ansiosas para serem coloridas.      

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