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sábado, 24 de agosto de 2013

covardia nossa



Minha covardia tem nome e sobrenome. Assim como meu amor, minha tristeza, minha felicidade, meu ódio e minha loucura. O sorriso da minha covardia não tem covinhas, mas ruguinhas nos cantos dos olhos. Acho até que deveria parar de escrever covardia assim e passar a dar a ela mais respeito, Covardia.

Segundo o Aurélio, Covardia é a falta de coragem, medo. “Falta de coragem” são três palavras que teimam em me persuadir toda vez que você está se aproximando, chega até a irritar. Antes de ver você dobrando a esquina, eu sei exatamente o que dizer, como dizer e o que esperar, mas então você dobra a esquina e eu dobro a língua, o cérebro e todo o resto. Falta de coragem me irrita tanto, mas tanto, que quando tinha dez anos escrevia Corajem e não escutava quem quer que fosse que tentasse me corrigir, coragem era com jota porque eu era assim e ponto final. Porém, já não me disponho a mudar o Português por minha causa, porque nem causa nem coragem tenho e não vale a pena brigar.

Eu escrevo roteiros de filmes dignos do Oscar todos os dias, todos os minutos que antecedem a sua chegada, e por quê? Não há propósito quando se têm covardia. Talvez eu nunca consiga abrir a boca e falar a verdade e talvez eu consiga e me ferre, quem vai me garantir?

Não tenho mais fôlego nem ousadia suficientes para jogar tudo para o alto assim, para ligar o botão do “foda-se” e despejar tudo, foi-se esse tempo. Hoje penso não uma ou duas vezes antes de fazer algo, o que faço é me transformar em uma psicóloga autodidata e me dar conselhos que eu sei que não vou seguir, mas que não custa tentar.

A cada dia que passa eu chego mais perto da borda, do momento onde sei que vou precisar tomar um decisão concreta e descer de cima desse muro que, de qualquer forma, vai quebrar minha perna ou minhas mãos. O desespero toma conta de mim de um jeito inacreditável, já não consigo pensar em outra coisa que não seja essa decisão. Todas as possibilidades, os quadros mentais e os sentimentos parecem entrar em um debate sem fim que só me faz querer dormir sem sonhos, dormir em branco.

Quantos amores eu deixei passar por você? Quantos mais eu deixarei? Você merece tudo isso? Qual vai ser nosso fim? Será que você pode me responder ao menos uma dessas perguntas e depois me levar pra praia? Lá nós somos simples, somos nós.

  05/03

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