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domingo, 1 de setembro de 2013

filha do mundo

  

  Fico encantada com essas pessoas que já moraram em vários lugares, que já visitaram tantas cidades que perdem as contas. Meus olhos brilham de um jeito que não sei explicar, só sei sorrir e pedir para contar mais, só mais um pouquinho, por favor.

  Preciso de pessoas que me acrescentem, que me façam rir espontaneamente e ver a vida sob novas perspectivas a cada momento. Gosto de quem sempre tem algo a contar, compartilhar, ensinar, de quem mostra com simplicidade como a vida pode ser maravilhosa. Não entendo quem não quer ouvir as últimas notícias do amigo que chegou ao exterior ou da colega que passou anos em outro estado, não é inveja desejar estar no lugar deles, não é feio pedir por detalhes, demonstrar empolgação com uma experiência nova que não é sua. Feio é ser vazio, é não querer dividir nada com ninguém porque não interessa. Como assim? Tudo que faz bem interessa. 
  
  Confesso que não tenho muita paciência com pessoas vazias, um defeito talvez. É vazio quem esconde suas histórias por egoísmo, quem viaja o mundo e recebe tudo o que pode sem nunca distribuir, quem apenas sabe se vangloriar. Dessas pessoas quero distância, que fiquem em Roma ou Paris torrando seu tão poderoso dinheiro e não venham me encher o saco.

  Desde que me conheço por gente sei que quero viajar. Mas para onde, guria? Não sei, para onde der. Não quero o glamour desses destinos famosos, quero mesmo é me sentir livre. Acordar em um lugar onde ninguém sabe quem sou, descobrir algo novo em cada esquina e estar realizada ao final do dia. Quero acrescentar alguém, quero me aventurar, sentir medo e vontade de voltar para casa sem ter como e depois rir de tudo isso, quero amadurecer e descobrir a mim mesma em algum lugar improvável, desvendar paisagens jamais imaginadas, quero deixar minhas marcas por ai. Já que estamos todos condenados ao esquecimento, sem nem mesmo a certeza do amanhã, por que não se deixar levar? Por que querer ser mais que o outro quando no fim temos todos o mesmo destino?


  Quero ter ao meu lado quem tem conteúdo, quem me faz crescer de qualquer forma que seja. Quem não te faz rir até sentir as bochechas doendo ou não te arranca uma lágrima sequer, não merece seu tempo. Pessoas mornas trazem junto de si vidas mornas, e se tem algo que aprendi é que aquilo que não me tira do sério nem me faz reagir, não merece minha atenção. 

2 comentários:

  1. Perfeito! Viajar é deixar a redoma, em todos os sentidos. Um beijão e vamos mochilar!

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