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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

morena, tá tudo bem

(ler ao som demorena, se não ouvir não tem graça) 
  Sempre é a última vez que ela vai me ligar, a última vez que vai me chamar para sair, a última vez que vai me querer. Todos os dias são a última vez para ela, o que me diverte e atraí diariamente, como se fossem a primeira vez.
  Às vezes penso que somos um caso perdido, desgastados demais para ficarmos juntos. Entretanto, quando isso passa por minha cabeça o celular toca e é você, sendo doce como açúcar e pedindo carinho, pedindo beijo. Como se eu fosse algum dia negar ou como se você precisasse pedir algo assim. Não demoro pra chegar de propósito, juro, é distração mesmo, acaso do destino que sempre coloca alguém entre a minha rua e o seu bairro. Confesso que de vez em quando me atraso de propósito, para testar até onde vai essa sua vontade toda de me consumir. Me atraso também porque é gostoso ver como você se irrita fácil, como fica estressada e reclamona, alguma coisa deve significar, não é? Juro, tento prestar atenção em tudo o que você diz quando apareço na porta do seu apartamento três horas depois do combinado, mas não dá, não com você vestindo meu casaco de dois anos atrás com esse cabelo espalhando um cheiro que só sei definir como seu. Usando o casaco e mais nada, devo acrescentar, algo que tenho certeza, você faz de propósito, como se fosse uma placa dizendo: otário, se atrasou e perdeu isso tudo pra um moletom.
  Você confunde minha cabeça todos os dias, sabe disso e faz de propósito, porque não é possível que alguém faça tantos labirintos involuntariamente. Diz que conheço você melhor que muita gente, dou risada, como assim? Coitados dos outros então, se eu que conheço você melhor que estes não entendo nem metade de suas ações, quem dirá eles? Acho engraçado como você começa a falar algo em meio a uma discussão e para, engole as palavras e manda deixar pra lá. Admiro essa sua capacidade de manter confusão o mais longe possível, mas nós precisamos conversar. Vejo a decepção estampada em seus olhos quando digo que não sei o que fazer, não sei o que querer. Você confia demais em mim, deveria me importunar mais, ser tão chata comigo como sou com você, quem sabe assim eu consiga organizar logo a bagunça que você fez aqui dentro?
  Penso em um futuro bonito todos os dias, geralmente você o compõe, algumas vezes escapa por entre as brechas do destino e eu me imagino sem você, é chato e real demais admitir que talvez você canse disso tudo e fique com um cara bem resolvido e todas essas coisas que vivem me alertando. Não sei o que acontece, porém juro que vou tentar descobrir, morena, juro!
  Quero essa sua risada preenchendo não só o meu quarto ou a sala do seu apartamento, mas habitando meu peito todos os dias, quero sentir essas suas pernas teimosas enroladas com as minhas por horas e ter o prazer de ouvir suas palavras sacanas e saber que elas são tão minhas quanto você.



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