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domingo, 6 de outubro de 2013

entrelaçados


Nunca quis andar por ai de mãos dadas com alguém. Para ser sincera, sempre achei uma perda de tempo, uma coisa meio complicada andar em uma velocidade e jeito diferente do meu, logo eu, toda descoordenada. Achava até mesmo uma demonstração pública desnecessária, sei lá, vai entender.

Entretanto, um belo dia um rapaz muitos centímetros mais alto que eu criou em mim uma vontade louca de ir até a lua de mãos coladas com as dele. Justo eu, com minha mão toda magrela e fina que sempre se perde dentro das dele, tão quentes e aconchegantes. De vez em quando parece até estranho, mas não tenho vontade de ir a lugar algum nem de fazer nada especial, quero apenas caminhar pelas ruas de mãos dadas, sentindo o carinho do polegar em meus dedos, o cuidado e a segurança que se sobressaem a qualquer outro sentimento.

Lembro que quando percebi estar apaixonada, sem chances alguma de recorrer a essa situação, a cena que mais aparecia em minha mente nada tinha haver com nossos beijos, o que me arrepiava – e arrepia até hoje – era relembrar a primeira vez que andamos por ai de mãos dadas. Foi estranho, porque eu sempre fui a primeira a ser avessa a essa ideia, porém também foi natural, como se em algum lugar estivesse planejado que um dia nossas mãos se entrelaçariam tanto quanto nossas vidas, e mesmo que o medo me tomasse de vez em quando, a sua mão estaria ali, me dizendo que não estou sozinha.

Muito mudou por aqui nos últimos tempos, hoje sinto que dar as mãos é o mesmo que dizer vem aqui, entrelaça seus dedos nos meus e caminha ao nosso ritmo, do nosso jeito, sente o pulsar e o carinho dos meus dedos, lembrando que estamos unidos. Percebo também que tudo bem ser descoordenada, aos poucos é que se aprende ter equilíbrio e que ter uma mão pra te segurar quando você sabe que pode cair é mais que reconfortante.
22.09


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