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sábado, 28 de fevereiro de 2015

vinte e nove



   Há momentos em que a tristeza inunda meu corpo de tal forma que não consigo nem ao menos respirar. Fico mole, coração estarrecido e os olhos repletos de lágrimas que, por dignidade, arranco força de onde não há para não deixá-las escapar.

   São nesses momentos, raros durante o dia a dia, mas arrebatadores, que minha mente se preenche com nossas boas lembranças. Fico mais aliviada em saber que dentro da nossa pequena eternidade, os momentos bons fazem os ruins ficarem apagados. As memórias de um casal tão leve, despreocupados com problemas externos e concentrados em fazer dos nossos momentos os mais especiais possíveis, me faz ficar incrédula, não consigo entender como chegamos onde estamos.

   Éramos tão amigos que sinto ter perdido você duas vezes: uma vez enquanto namorado, outra enquanto amigo. Perdi você ao mesmo passo em que você me perdeu, nos separamos e nos transformamos em duas peças que não mais se encaixavam.
Incrível perceber como em um momento planejávamos nossas viagens, assistíamos vídeos de nossa próxima aventura, conversávamos alegremente sobre tudo o que desejávamos fazer, já sabíamos até mesmo qual seria o nome do nosso primeiro filho e então...como em um passe de mágica, o plural se transformou em singular e hoje já não somos nós. Sou apenas eu.


   Ninguém viveu nossa história como nós vivemos ou esteve em todos os momentos como nós estivemos, somente nós mesmos é que podemos entender nossos atos. Talvez tenha sido melhor assim, talvez este tenha sido o maior erro de nossas vidas, talvez o maior acerto...talvez, quem poderá saber, não é mesmo? Nos arriscamos, vivemos nosso amor da nossa maneira, até seu fim chegar e nossa história se transformar no que é hoje, um turbilhão de lembranças. A vida é cheia dessas lições, dessas transformações, impossível preencher de rancor um lugar onde antes somente existia amor. Se nós acontecemos, se passamos pelo que passamos e hoje estamos aqui, é por algum motivo. 

   Talvez um dia a vida nos cruze novamente, quem poderá saber. Sigo sentindo sua falta, meu amigo.  

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