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segunda-feira, 13 de abril de 2015

pelo direito de ser G O S T O S A



Depois de vários casos de abusos sexuais consecutivos em um Campus da Universidade de Toronto, no Canadá, um policial foi convidado a demonstrar ações que poderiam evitar que os casos se repetissem. Durante sua palestra, o servidor disse que as mulheres deveriam parar de se vestir como putas, assim os abusos diminuíram.

Esta foi a gota d’água que criou a Slut Walk, Marcha das Vadias no Brasil, a primeira passeata reuniu mais de 3 mil pessoas que demonstravam sua indignação perante palavras tão ignorantes vindas de uma pessoa que teoricamente deveria proteger sem discriminação todos os indivíduos da sociedade, seja lá como estes estivessem vestidos.

Desde a mais tenra idade meninos são treinados para exalaram masculinidade, já na creche, tem três ou quatro “namoradas” e quando estão passeando com o papai ou qualquer figura masculina já são ensinados a chamarem as moças bonitas que caminham pela rua de gatinhas. Meninas aprendem cedo que não podem ser mal faladas e que suas roupas precisam ficar entre o delicado e respeitoso, Deus me livre de terem namoradinhos, mesmo que de brincadeira.

Estamos no século XXI e a educação das crianças continua exatamente como descrita acima, se não pior. Quando é que pais irão ensinar seus filhos homens que mulheres não são pedaços de carne para serem chamadas de gostosas? Espero ansiosamente pelo dia em que andar na rua, seja qual for o horário, não será motivo de apreensão por estar sozinha, que não haverá buzinas ou palavras esdrúxulas de homens com o espírito de seus ancestrais cavernosos.

As estatísticas assustam: uma dentre quatro mulheres são estupradas durante sua vida. O que quer dizer que, em meu grupo de quatro amigas com sonhos, vidas e pensamentos diferentes, uma sofrerá algum tipo de abuso sexual que desestabilizará sua vida para todo o sempre. Quem será essa uma? Eu? Nenhum homem com caráter e uma filha em casa gosta de pensar por esse lado, mas enquanto ele buzina para uma mulher em uma rua, outro homem tenta agarrar sua filha bem próximo dali, como em um ciclo vicioso.

A solução não está em ensinar moças a serem recatas, a não usarem saias curtas nem saírem a noite, todo individuo tem o direito de ser e vestir o que bem entender em uma sociedade onde somos livres. Se nossos homens fossem ensinados a terem respeito para com todo tipo de mulher, vestido algum transtornaria uma Universidade inteira. 

Educação ainda é a salvação do mundo, educar crianças para serem cidadãos respeitosos independente do tipo de individuo que encontrarão pelo frente é sem dúvida a forma mais eficiente de acabar com casos tão absurdos de falta de respeito e dignidade. A Marcha das Vadias causa espanto porque é como um tapa na cara da sociedade involuntariamente machista em que fomos criados, onde o belo é ser magérrima, ter belos seios e coxas, cabelos sedosos e olhos claros, casar com um marido que seja tão ou mais independente que você e trazer um ou dois filhos ao mundo, sendo trabalhadora, mãe e esposa ao mesmo tempo.


Lutar pelas vadias é dizer não a toda essa hipocrisia, é se achar linda tendo algumas sobras aqui e ali e admitir que não somos multiuso, que não precisamos aderir a todas as responsabilidades que compõe uma família porque homem também é pai, também sabe lavar a louça e tirar o lixo para fora. Se ser vadia é não aceitar que qualquer um que passe por mim na rua tenha o direito de me assediar, se é repudiar a mentalidade machista que nos culpa por seus atos repugnantes e querer a liberdade e igualdade social acima de tudo, então somos todas vadias e marchamos todas pelo nosso direito de sermos gostosas da forma que bem entendermos, sem medo ou apreensão.  

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